sábado, 31 de dezembro de 2011

Texto: Reflexões sobre o propósito de Deus com a Igreja - Edificando a Casa - Roujet Fuchs

Reflexões sobre o propósito de Deus com a Igreja. Edificando a Casa - Roujet Fuchs (Brasil)
       I Leituras: Ageu 8:1; Prov. 9:1; Hab. 2:13-14; Jer. 31:31-34; Ef. 3:14-19.
Permea a história da humanidade duas
correntes, totalmente antagônicas entre si. A primeira, obviamente, é a linha do
propósito eterno de Deus: Aquela mulher que, ao ser criada em Gênesis, se perdeu
em Adão, e ao longo da história, o Senhor, misericordiosamente, preparou a sua
recuperação.
É óbvio que Deus não estava recuperando a
Adão. É interessante que possamos falar dessa linha histórica do propósito de
Deus. Hoje temos um fato diante de nós: Uma mulher que está no deserto, grávida,
pronta para dar a luz a um filho. E existe também, paralelamente a isto, uma
serpente que começou lá no Éden, e que aparece outra vez em Apocalipse como um
grande dragão.
Lá no mesmo início de Gênesis, o Senhor Deus
falou que essa serpente se alimentaria do pó, e parece que realmente ao longo da
história, ela tem se alimentado muito, porque agora já não temos mais uma
serpente, mas um dragão, com sete cabeças e dez chifres. E os olhos da
humanidade estão postos nesse dragão, porque ele chama muito a
atenção.
Com o avanço da tecnologia, muitas coisas
têm assombrado a humanidade, e a humanidade tem posto os seus olhos ali. Mas
quem vai pôr os seus olhos em uma mulher que está com dores de parto, no
deserto? O Senhor dos exércitos! Ali estão os olhos do Senhor. Segundo os textos
sagrados que estamos lendo aqui, ele está acompanhando de perto, ao longo da
história, todo o processo dessa mulher que está para dar a luz ao Filho de
Deus.
II Subindo para o monte
Vamos ao livro de Ageu, como o livro da
restauração, um livro dirigido em especial àqueles que começaram a edificar.
Estes, que começaram a edificar, é esta mulher que está no deserto para dar a
luz ao filho varão.
Então irmãos, Ageu para nós é um livro
especial, para o tempo em que estamos vivendo. Um livro que nos toca, nos
sacode, e nos desperta. Porque aquele dragão continua avançando, de forma
paralela – isso é claro. E nós sabemos que, quando nascer o filho desta mulher,
o dragão se oporá a ele, e não só vai se opuser ao filho quando nascer. Ele já
se opõe agora, para que o menino não nasça. Ele não quer a expressão de Cristo
na igreja; não quer que os principados e potestades nos céus vejam a
manifestação da glória de Deus em Seus filhos. Ah, estamos em guerra, irmãos!
Existe um dragão contra nós, mas, a favor de nós, está o Senhor dos exércitos.
Neste livro da restauração começamos a ver a expressão “o Senhor dos exércitos”, e a
necessidade desta expressão; e não só da expressão, mas também da Pessoa que
está por trás desta expressão.
Também vemos a questão da necessidade de
prioridade, porque era exatamente essa dificuldade que os israelitas estavam
tendo. Eles perderam o propósito, e começaram a envolver-se com as suas próprias
coisas; e não só se envolveram com as suas coisas, como também começaram a
recolher os frutos desse envolvimento. Então, aquele que ganhava um bom salário,
recebia o seu salário em um saco furado.
Se pusermos a ênfase no lugar errado,
podemos colher os mesmos frutos. Os mais jovens principalmente, que acreditam
que a universidade vai lhes dar uma boa vida no futuro. Vou devagar aqui. Não
sou contra a universidade; o assunto é que se você puser a ênfase no lugar
errado, você, que é um ser que nasceu de novo, não serve para duas coisas; não
serve para o sistema do mundo. Se você for para ele, ele vai te lançar fora
dali. Você sabe do que estou falando.
Então construímos uma idéia de que se
tivermos uma boa vida aqui, e se pudermos ir ao culto no domingo de manhã, e
fizermos algum serviço ali, e darmos o dízimo. Tudo isso está bem. Mas nós não
fomos criados para isso; fomos criados para a glória de Deus. Fomos criados para
que Cristo seja tudo em todos.
Então, no versículo 8 do capítulo 1 de Ageu,
encontramos uma expressão importante; para mim, uma das mais importantes quando
se fala da edificação da casa de Deus. “Subi ao monte, e trazei madeira, e
edificai a casa; e dela me deleitarei, e serei glorificado, diz o
Senhor”.
“Subi ao monte”. Esse é o coração do
assunto, porque nós sabemos que este monte representa o nosso Senhor. É um
caminho de ascensão, um caminho que a nossa carne não vai desejar. No entanto,
não existe edificação se não houver monte. Se não houver caminho sacerdotal de
entrada, não haverá caminho de Reino na sua volta.
Aquele sacerdote que entrava no Lugar
santíssimo, o sumo sacerdote, estava na presença de Deus, e quando ele saía, já
tinha edificado nele a vontade de Deus para o povo. Deus precisa nos ter em Sua
presença. Para mim, é o caminho mais difícil para os cristãos; é o mais difícil
para mim. É um caminho de ascensão, porque a nossa carne não quer esse caminho,
porque a guerra da qual falávamos a vez passada se trava precisamente neste
ponto.
O diabo não é o grande problema, nem sequer
o mundo; somos nós mesmos. Porque Deus está em nosso espírito, mas a edificação
da casa é quando ele sai do espírito e adentra a alma. Mas a alma não quer a
Ele; ela quer as coisas do mundo; há uma relação estreita entre o que está
dentro e o que está fora. O que está fora nos chama. Há esse tridente contra
nós: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, a soberba da vida.
Ali está estabelecido o campo de batalha, aquela linha a que me referia do
dragão e da mulher na história.
Um não pode edificar com o material do
outro. O que está em nossa carne é perverso, e não só o aspecto negativo; os
aspectos positivos são os mais perigosos. E esse rico acervo que temos na carne,
é o que quer edificar a casa de Deus. Mas aquelas correntes são antagônicas
entre si. A mulher não pode dar nada ao dragão, e o dragão não pode dar nada à
mulher. O que é próprio do dragão é próprio do dragão; o que é próprio da mulher
é o que é próprio da Trindade.
Aí está o campo de batalha: nas emoções,
na mente, na vontade. Esse príncipe do ar que passa por aí, e às vezes coloca
algo em nossa cabeça, e por não estarmos no monte, pensamos que aquilo começou a
ser gerado em nosso próprio entendimento
. Mas aquilo foi uma semente do
maligno, e começamos a desenvolver a partir dali, e em pouco tempo tem uma
grande árvore, e criamos para nós um grande problema.
Só é possível conhecer
ou discernir o falso, quando conhecemos o que é verdadeiro. Há muita gente que
está embaraçado no meio da igreja, porque não está no processo de edificação.
Irmãos, não imaginem que só porque você tem vida eterna no espírito, você já
está sendo edificado em sua alma. Se você está utilizando material do velho
homem, essa não é a edificação legítima de Deus; é uma edificação contra Deus. E
em um dia determinado, com apenas um sopro da sua boca, tudo isso será
desfeito.
Então, este é o momento de estar muito
atento para ver com que tipo de material estamos nos envolvendo. Se estivermos
na edificação da Casa, precisamos compreender que há uma extrema necessidade de
estar aos pés do Senhor Jesus. E isso não pode ser só uma teologia; isso precisa
ser um pouco vivido entre nós.
Você não vai precisar falar. As pessoas vão
chegar, e vão ver.
Porque aqueles que andam com o Senhor,
aqueles que olham para ele têm expressado em sua face à Sua própria imagem, a
imagem dele. A gente pode falar muito; podemos nos esconder detrás do nosso
caráter, ou esconder o próprio caráter; mas o que você fala, o que eu falo, não
pode edificar a ninguém, não pode dar vida a ninguém. Porque a vida está no
Espírito; a vida não tem fonte na alma, a vida não tem fonte na carne. A fonte
da vida é o nosso Senhor Jesus Cristo, que está em nosso
espírito.

O momento em que estamos com ele é o momento
em que podemos expressá-lo. Por isso fomos feitos à sua imagem e semelhança.
Precisa ser projetada uma imagem, e essa imagem é a imagem do Filho. Por isso,
ele nos deu uma semelhança, deu-nos um espírito, porque ele é Espírito. Ele não
circula por nossas veias; ele não está em nossa vida biológica, em nossa carne.
Ele está em nosso espírito.
A edificação da casa de Deus começa no
monte; a edificação da casa de Deus começa no Espírito.

III A Sabedoria lavrou as suas colunas
Vamos para Provérbios capítulo 9. Nós
sabemos que o capítulo 8 de Provérbios, em sua segunda parte, a partir do verso
22, fala da sabedoria. Sabemos que essa não é uma sabedoria terrena; é a
sabedoria de Deus. É a sabedoria personificada. Aqui é uma pessoa -o nosso
próprio Senhor. E ao iniciar o capítulo 9, começa dizendo: “A sabedoria já
edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas”. A sabedoria já edificou a
sua casa, já lavrou as suas sete colunas. Há sete colunas principais que
aparecem em Provérbios, e estão totalmente ligadas com este assunto da
edificação da Casa.
Se estamos envolvidos na edificação da Casa,
necessitamos dessas sete colunas principais. Porque se você levantar uma parede
lateral, e não existem duas colunas, uma de cada lado, essa parede, com um pouco
de vento, pode cair. E o interessante é que as sete colunas neste livro sempre
aparecem em relação com a sabedoria. E nós sabemos que a Sabedoria é uma pessoa.
Me acompanhem, por favor, no versículo 10: “O temor do Senhor é o princípio da
sabedoria”. O temor do Senhor é uma coluna. Isso está relacionado com a
sabedoria. Não é que um sábio tem temor. O assunto é que a Sabedoria, essa
Pessoa, lavra nessa casa o temor do Senhor. Por isso o capítulo 9, no início,
diz que a sabedoria já edificou a sua casa e já lavrou as suas sete
colunas.
No Brasil, e creio que aqui também, quando
os construtores civis fazem uma coluna, utilizam uma espécie de caixa de
madeira, que tem ferros por dentro em sua estrutura, e depois colocam o
concreto. Depois tiram essa fôrma, e aí a coluna fica pronta. Ah, irmãos,
quantos de nós queremos fazer a mesma coisa na casa de Deus. Na casa de Deus o
assunto da coluna é muito mais sério.
O assunto na casa de Deus não é questão de
fôrma. Muitas pessoas querem pôr uma fôrma, algum modelo, alguma maneira, na
carne. Muitas pessoas, por não terem visão, querem fazer da casa de Deus uma
caixa de sapatos. No entanto, os textos que temos aqui nos mostram que Deus
lavra colunas. A Sabedoria já edificou a sua casa, e já lavrou as suas sete
colunas. Ah, por isso é que o processo é doloroso!
Nós pensamos que o temor de Deus é
sentar-se, cruzar as pernas e inclinar a cabeça. Não, isso não é assunto de
moldes; é assunto de lavrar. E tampouco é assunto de homens
lavrando.
IV A Casa não é edificada para a Casa
Vamos a Habacuque, por favor. Estamos
falando daquela relação que é altamente necessária para a edificação da casa:
Subir ao monte. Habacuque 2:14: “Porque a terra será cheia do conhecimento da
glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”. No que consiste a edificação da
Casa? Sermos cheios Dele. Ah, por isso a necessidade de subir ao monte. Porque
ele é a fonte. Não é uma questão de falar a respeito dele, não é questão de
falar sobre as doutrinas a respeito dele – é uma questão de estar com ele, de
viver com ele, em união com ele.
Aquela escada de Bet-el, pela que o nosso
Senhor desceu e chegou até nós, quando estávamos mortos em nossos pecados… Ele
fez aquele trabalho tremendo por nós, e agora nos levou juntamente com ele. E
nos fez subir aquela escada, e nos assentou em lugares celestiais. Nós não temos
necessidade de sair dali; a igreja não precisa sair dali. O problema da igreja é
que sai dali. O enfoque, o ponto fundamental de tudo o que estamos vivendo na
terra, parece que não vamos ter outra experiência; todas as experiências estão
ligadas a este mesmo ponto. Todas as nossas derrotas, e inclusive as vitórias,
tudo está relacionado com esse ponto.
Qual é o ponto? Estar com Ele. Você toma um
irmão que já tem certa idade, que já tem cabelos brancos, e lhe pergunta:
‘Irmão, qual é o assunto de Deus ao longo da história de sua vida, qual foi a
sua experiência?’. (Eu já tive essa experiência com irmãos mais velhos). E sabe
o que eles respondem? ‘Jesus é muito bom, irmão’. Eles não trazem teologias
complexas. Quando nos aproximamos deles, nós pensamos assim: ‘Ah, agora eu vou
sugá-lo’.
Aquele caminho do irmão mais velho, tudo o
que ele ganhou de Cristo, ganhou no caminho. A gente quer cortar esse caminho,
encontrarmos com ele já lá frente, passar rápido, e pôr a perna adiante do outro
para que não passe, porque se ele nos transmitir essas informações, vamos ser
tão espirituais como ele. O assunto é que não queremos todo o caminho, e tudo o
que se aprende, aprende-se no caminho.
“Porque a terra será cheia do conhecimento
da glória do Senhor…”. Não é que Deus esteja em um lugar e sua glória esteja em
outro lugar. Onde ele está, está a sua glória. O assunto é que nós não vemos
essa glória. Ah, irmãos!
Ele diz que a terra será cheia do
conhecimento da sua glória. Eu lhes confio, irmão, que ele está utilizando este
vaso chamado igreja para encher de si mesmo, e a partir desse vaso, possa
transbordar dele, a fim de que todos as de fora possam ser alcançados. Não
imaginem que a edificação da casa de Deus é uma coisa voltada para a própria
Casa. A edificação não tem como centro a própria Casa.
Nós somos muito
domésticos. Eu, por exemplo, sou muito doméstico. Tenho sofrido um pouco aqui na
Colômbia. Tenho dormido pouco. Mas, por que será isso? Tenho sentido falta do
feijão. Mas, sabe o que é isso, irmão? Uma figura maravilhosa. Deus quer nos
tirar do doméstico. A gente quer ficar só com um castelo santo, quer a igreja
edificada para nós mesmos. Ah, porque se os irmãos forem edificados, eles serão
tão maravilhosos. Vai acabar os irmãos problemáticos entre nós, será uma
maravilha para nós.
Deus não está edificando uma Casa para a
própria Casa. Deus quer dar um testemunho aos principados e potestades no céu,
de quem ele é. A Casa é edificada porque a cidade precisa ser alcançada. Este
também é um dos pontos da necessidade da edificação da Casa no tempo em que
estamos vivendo.
“Porque a terra será cheia do conhecimento
da glória do Senhor…”. Porque se essa Casa tem que ser cheia, a fim de que a
terra também seja cheia, o Senhor precisa nos mostrar um caminho. Eu tenho
entendido, juntamente com outros irmãos, que não haverá edificação da Casa, se
não houver subida ao monte, não haverá reconhecimento da glória se estamos
afastados do monte. Ele se manifesta ali; o seu nome está ali, a sua glória está
ali. Nós necessitamos também
estar
ali.

V Do espírito para a alma
Jeremias 31:31-34. “Eis que vêm dias,
diz Senhor, nos quais farei um novo pacto com a casa do Israel e com a casa de
Judá… Este é o pacto que farei com a casa do Israel depois daqueles dias, diz
Senhor: Porei a minha lei em sua mente, e a escreverei em seu coração; e eu
serei para eles por Deus, e eles me serão por povo. E não ensinará mais ninguém
a seu próximo, nem ninguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque
todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz
Senhor…”.
Viu a
relação do que vimos em Habacuque, e o que agora vimos no versículo 34? Ele diz
que ninguém mais dirá a seu irmão que deve conhecer o Senhor. E por quê?
“…porque todos me conhecerão…”. Essa é uma profecia que tem cumprimento no Novo
Testamento. Todos o conhecerão. A Casa será cheia da sua glória.
Mas no verso 33 nos dá o caminho, o
entendimento de como é que Deus está fazendo isso. Isso não é só algo que
Jeremias profetizou e que em um determinado tempo específico do Novo Testamento
vai se cumprir. Não, existe um processo desde a profecia até o seu cumprimento.
Então, qual é o assunto? Para que sejamos cheios do conhecimento da sua glória,
para se cumpra esta profecia, o verso 33 é o verso chave.
Diz a minha versão em português da Bíblia:
“Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração”. Nós sabemos
que o interior é onde está o nosso espírito, e sabemos que a lei de Deus é
aquilo que é próprio de Deus. Às vezes temos a idéia errada de que a lei de Deus
é uma série de exigências que ele nos faz. É verdade, também tem esse aspecto.
Mas, sabe por que Deus exige ela no Antigo Testamento? Porque aquilo que ele
pede ao homem é o que é próprio Dele. Quando diz ao homem: “Não matarás”, é
porque Ele não é homicida.
Então, a lei de Deus, que está dentro de
Deus e que faz parte da natureza de Deus, torna-se agora como uma lei para o
homem que é a sua criatura. Mas, o homem caiu, e agora tem uma carne terrível, e
agora não consegue… Por isso vai ver em Romanos capítulo 7 a crise que Paulo
está vivendo. Por que ele está vivendo aquela crise? Porque é um homem que tem
conhecimento da lei de Deus, mas ele também começou a aprender que a lei de Deus
que estava fora não pode ser cumprida apenas pela lei do
conhecimento.
Mas
neste versículo estamos vendo que o Senhor está dizendo que poria a lei não só
no lado de fora, mas a colocaria dentro de nós. Ele deve habitar com tudo aquilo
que ele é, em nós, dentro de nós. Não podemos perder isso de vista. Nós sabemos
que ele não está fazendo uma casa com uma cruzinha em cima. Mas você sabe, você
tem visto, você tem contato com ele desde o espírito. Você tem conhecimento de
que ele está em seu interior. E não somente um conhecimento intelectual, mas um
conhecimento experimental.
Todos nós queremos edificar a casa de Deus;
mas muitas vezes não sabemos onde começa esse processo. Toda a riqueza dele,
irmãos, está em nosso espírito. O Senhor falou e disse: ‘Eu sei o que vou fazer:
Vou colocar a minha lei dentro deles. Já não vou fazer exigências do exterior.
Eu mesmo vou me colocar dentro deles’.
Ele diz: “…a escreverei em seu coração”. Ah,
vamos desculpar os irmãos psicólogos. Reconhecemos que a psicologia cristã tem o
seu lugar. Mas o assunto é a partir do espírito. O homem não pode falar de si
mesmo a partir de si mesmo. Somente em uma atitude espiritual, em contato íntimo
com Ele, com essa lei, com nosso próprio Deus no nosso interior. É que o nosso
coração e toda a nossa alma começa a ser ganha. Essa é a edificação da casa de
Deus.
“…a escreverei
em seu coração”. É interessante que ele coloca a lei no espírito. Ele não só
escreve; ele coloca. Mas no coração, ele escreve; porque o coração está falando
da nossa alma. A salvação é somente por graça, mediante a fé. E ele nos dá o seu
Espírito. Mas, em relação à alma, ele precisa escrever. E aí está o campo de
batalha, aí é onde se estabelece a guerra. Já não é só uma questão intelectual,
não é uma questão filosófica, não é uma questão de uma boa palavra. É uma
questão de um caminho estreito, que só individualmente, cada um de nós, podemos
conhecer.
Impressiona-me que toda vez que você vê a
cruz na Bíblia, está sempre acompanhada do Espírito. Às vezes nós queremos que
os irmãos tenham uma cruz primeiro. Porque isso nasceu na gente; a gente quer
fazer força até para receber a cruz, e para nos negar a nós mesmos. Não; isso
não é assim. Nós vamos necessitar da ajuda dele. Isso é um atentado contra a
vida, a vida antiga.
O homem não nasceu com a
capacidade de negar-se a si mesmo; o que nasceu com o homem é impor a sua
maneira
. Já viu que o problema da igreja também é este? Há pessoas
que são de uma maneira e quer impor a sua maneira. Elas não conseguem receber as
outras maneiras. Há irmãos entre nós que são muito tranqüilos, e outros que são
mais ativos. Mas em ambas as vidas, o Senhor tem lugar.
Nós temos que entender que este é um assunto
de mutualidade. Não é assunto de nós exercitarmos as nossas maneiras e fazer que
outros se submetam as nossas maneiras. O Senhor é um Corpo formado por muitos
membros. E Cristo habita em todos os seus filhos. E cada um tem uma porção
especial de Cristo para oferecer. Guarda-te do complexo de inferioridade. ‘Ah,
porque como eu não sou igual a Fulano…’.
Você é membro do corpo de Cristo. Não aceite
essas sugestões do diabo, porque se você as aceitar, pode estar enterrando o seu
talento, e Alguém vai te pedir conta por isso um dia. Todos somos iguais. Amém!
Somos um em Cristo Jesus! Bendito seja o nome do Senhor! Não há lugar para
individualismo. O tempo de Moisés passou, o de Isaías passou, o de Jeremias
passou. Eles eram servos de Deus, mas muito focados
individualmente.
No
entanto, o propósito de Deus da eternidade, foi o de ter uma Casa edificada com
o seu nome, e essa casa é o corpo de Cristo, e nós somos os seus membros, cada
um em particular.
Uma
das questões mais importantes no processo de edificação é que cada um de nós
temos responsabilidades nesse processo. A Casa é edificada na medida em que
você, individualmente, é edificado.
É como este vaso, que não pode derramar água
para fora, porque tem pouca água. É uma figura parecida com a questão dos
Coríntios. Paulo diz: “Com leite vos criei; não pude dar-lhes alimento sólido,
porque não o suportariam”.
Quer dizer, às vezes nós temos um propósito
muito grande para mostrar aos irmãos o propósito de Deus. Mas a nossa estatura é
pequena; então, torna-se incompatível com o propósito que ouvimos. Por isso
Paulo está dizendo que quando ele era menino, vestia-se como menino, e quando
chegou a ser grande trocou as suas roupas. O propósito seria como as roupas. Às
vezes temos roupas maiores que nós. Nós crescemos pouco, mas o propósito que
ouvimos no acampamento é muito grande, e não é compatível, e não vai ser
prático.
O modelo
está aqui. Se você quiser que a água transborde, se você quer viver uma vida
madura dentro de um propósito grande do coração de Deus, o vaso tem que ser
cheio. Se a igreja não crescer, individualmente primeiro -porque você não terá o
coletivo sem indivíduos; o coletivo é o conjunto dos indivíduos- então
precisamos crescer individualmente, e à medida que vamos crescendo, quando
chegamos à borda, então começa a derramar.
Quando você tem vida, não só no espírito,
mas também vida formada na alma, a igreja começa a receber edificação também.
Então, o propósito de Deus é edificar a você primeiro, para que você possa
trabalhar na obra do seu ministério.
Nós achamos assim: ‘Bom, somos a igreja, o
corpo de Cristo. Somos muitos membros’. E lemos Efésios capítulo 4, e ali diz
que temos que fazer assim, dar trabalho aos irmãos, e cada um faz uma coisa. E
assim a igreja está sendo edificada. Mas, com que tipo de material é essa
edificação? Você acha que para fazer alguma coisa na casa de Deus, e se isso
começar em sua própria alma ou em minha alma, você acha que isso pode realmente
ser chamado edificação da casa de Deus? Edificação na casa de Deus é quando este
vaso transborda. A sua função aparece, para a glória de Deus, quando você é
transborda a Ele.
O
assunto é o espírito, irmãos; o assunto é interior. Não fique olhando só a
palha, olhando só o que está fora. Não fique no estereótipo, não fique na
superfície. Eu necessito, você necessita, uma comunhão íntima e profunda com
Ele, para que possamos ver este assunto por dentro. Este é um assunto
misterioso, é um assunto enigmático. Esse assunto não está lá na esquina. Ele
não está em qualquer lugar, ele não está em movimento. Não está em você
sentir-se espiritualmente adequado ou se for muito extravagante em sua maneira
de ser. Isso não é vida. Vida é Cristo, irmãos, em nosso espírito, querendo
ganhar o nosso coração, querendo invadir a nossa alma, a fim de que toda a terra
seja cheia do conhecimento de Deus.
VI Fortalecidos no homem interior
Este capítulo que acabamos de ler tem uma
íntima relação com Efésios capítulo 3:14-19. Vamos ler. “Por esta causa dobro os
meus joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, de quem toma o nome
toda família nos céus e na terra, para que lhes dê, conforme às riquezas de sua
glória, o serem fortalecidos com poder no homem interior por seu Espírito; para
que Cristo habite pela fé em vossos corações, a fim de que, arraigados e
fundados em amor, sejais plenamente capazes de compreender com todos os santos
qual seja a largura, o comprimento, a profundidade e a altura, e de conhecer o
amor de Cristo, que excede a todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a
plenitude de Deus”.
Existe uma relação entre a visão de Jacó e
Efésios capítulo 3. Jacó viu a Casa. Jacó teve uma visão maravilhosa, a visão da
casa de Deus, do mistério de Cristo, e Paulo, no Novo Testamento, parece ter a
mesma visão. O que me chama a atenção é que há dois componentes importantes na
visão de Jacó, e que um está relacionado com o outro. Se no Novo Testamento nós
não conseguimos fazer essa relação, não se cumpre o verso 19 do capítulo 3 de
Efésios, que diz: “…conhecer o amor de Cristo, que excede a todo conhecimento,
para que sejais cheios…”. A Casa não é suficiente para Deus, casa cheia
sim.
Então, Jacó tem a visão da Casa, de Bet-el,
e também teve a visão da escada. E depois, o que ele fez? Fez um negócio lá,
centrou-se na sua alma. Isso, depois de ter visto a casa de Deus, depois de ter
declarado que aquela era a porta do céu. Ele mesmo viu que havia uma relação
entre o céu e a terra. Os anjos subiam e descendiam, e o Senhor estava na
cabeceira daquela escada. Ele viu tudo isso. Isso chama a sua atenção? Porque
nós vimos muitas coisas também…
O assunto é o seguinte. Se não houver
relação entre a Casa e a escada, vamos ter a Casa -e de fato, já temos a Casa,
porque isso é algo que Ele consumou na cruz-. No entanto, o assunto é: Como será
que essa Casa será cheia? Essa Casa só pode ser cheia à partir do fruto do nosso
relacionamento com ele.
Então, o que Paulo está dizendo aqui no
capítulo 3 é que primeiro precisamos “ser fortalecidos no homem interior …
segundo as riquezas da sua glória”. Não, não são com modelos externos; não são
com doutrinas e coisas superficiais. São “segundo as riquezas da sua glória”,
que seremos cheios no homem interior. E à medida que o interior é cheio, então,
pela fé, começa a ser atingido o nosso coração e toda a nossa
alma.
E à medida que vamos entrando com as nossas raízes nessa terra chamada Cristo, com
raízes fortes, diz o verso seguinte: “…sejais plenamente capazes de compreender
com todos os santos…”. Se Deus não trabalhar na nossa alma desde o espírito, nos
vamos ficar alegres apenas nas reuniões alegres, vamos dar abraços só quando
entoarmos aqueles cânticos que convidam a isso. Mas quando sairmos daquela porta
para fora, e se aquele irmão pisou no meu dedinho, acabou-se a
comunhão.
Deus não está enganado em relação à
edificação de sua Casa. E quando lhe dá uma causa para Paulo, pelo Espírito
Santo, ele sabia o que estava fazendo. Paulo sabia o que estava falando. Se não
formos fortalecidos no homem interior, vamos ter uma linda visão, a visão da
casa de Deus, assim como Jacó teve. Mas depois, ele se foi por seu próprio
caminho.
Esse caminho pode ser dentro da própria
igreja. Não estou dizendo que nos vamos desviar do caminho; mas é possível que
se perca o livro dentro da própria casa. Vamos ter cuidado, irmãos. A minha
oração nesta hora é que o Senhor nos dê olhos abertos não somente para ver a
Casa.
Não é suficiente ter visão da igreja; precisamos subir a escada do relacionamento com Deus. Ele está no topo da escada. Tal como no Antigo Testamento que tinha que subir ao
monte e ficar lá, como disse Deus a Moisés, assim no Novo Testamento, precisamos
subir a escada de relacionamento com Deus.
Estamos falando da igreja; não estamos
falando de um indivíduo. Se estivéssemos falando de um indivíduo, tudo estaria
resolvido. Temos muitos irmãos espirituais entre nós; mas o desafio não é esse.
O desafio é todos crescermos juntos. Não importa se houver só uma pessoa
espiritual entre nós, ou se há quinze espirituais.
Às vezes nos enfocamos nos
espirituais. Fixamos os nossos olhos neles, observamos como eles andam, como
sentam, como cruzam as pernas, se usam barba ou se não usam, se são magros, se
são gordos. Essa é nossa formatação. No entanto, Deus não está preocupado com
isso. Nada, nada. Se usarem barba ou não, se forem gordos ou fracos, se forem
altos ou baixos, se tem olhos azuis. Não. Deus está interessado em um Corpo
edificado para a glória do seu nome. Bendito seja o nome do
Senhor!
Que o Senhor nos dê visão para ver que ele
quer um Corpo edificado para o seu nome, porque essa foi a expressão do Pai: “Um
rei quis -o Rei é ele, o querer é o propósito eterno dele- de fazer bodas ao seu
filho”. As bodas somos nós com ele, com o Filho. Não somos uma viúva de marido
vivo. Somos a igreja de Cristo, um vaso para conter a sua
plenitude.
Deus não será glorificado, irmãos, se você e
eu não nos levantarmos por graça de Deus, e arregaçarmos as mangas, pela fé, não
por nossa própria força. Não queremos estar com as bochechas vermelhas de fazer
força, queremos avançar pela fé nele, no Senhor dos exércitos. Ele está conosco;
ele é o maior interessado neste assunto. Ele não vai se separar de sua linha de
eternidade a eternidade em seu processo conosco.
Não vamos deixar passar o nosso
tempo, irmãos. Vamos estar aí, na edificação da casa de Deus. Deus lhes abençoe,
irmãos.

Síntese de uma mensagem ministrada no Retiro de Sasaima (Colômbia), em Julho de 2008 - http://www.aguasvivas.ws/revista/53/04.htm

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